Crónicas inclusivas: incluir • in.clu.ir • ĩˈklwir

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Crónicas inclusivas: Uma parceria Pais Habilitar e Diário de Aveiro

 

 

No centro do palco estão eles, estes nossos meninos. É sobre eles que incidem as luzes, as que não são da ribalta, mas antes as que nos apontam a direção.

Em volta estamos nós. E somos tantos. Todos à volta destes nossos meninos.

Somos os pais, os irmãos, os que (com outros nomes) connosco vivem, convivem e partilham este trajeto. Todos os dias. A cada dia.

São também os que pertencem àquele nosso círculo, mais ou menos alargado, mais ou menos apertado. Os familiares e os amigos de sempre. Os que nos amam e nos apoiam. Nunca duvidam. E estes nossos meninos – que não são nossos – são tanto deles quanto nossos.

São ainda as pessoas que tão sabiamente souberam escolher a profissão. Daquelas que podem mudar vidas. São muitos os que nos rodeiam, quase tantos quantas as especificidades. Havendo sorte, todos eles dedicam parte do seu tempo e energia para nos ajudarem, para se coordenarem, para fazerem a sua magia. Assim teria de o ser sempre. Havendo sorte, fazem-no com uma imensa disponibilidade e dedicação. Enchem-nos de mimo e amor. Aos nossos meninos. Havendo sorte. Não teria de assim o ser.

Na plateia há observadores. Poucos. Há quem tire fotos, das que não se tornam virais. Só vem quem tem vontade. Mas quem vem e olha, não ignora. Compreende e abraça. Principalmente, fica.

Entre o palco e a plateia, bom, aí há qualquer coisa que nos mantém presos nos nossos lugares. Cada um no seu.

Nesta nossa caminhada deparamo-nos com um mundo de conceitos, de problemáticas, de estratégias. Vamo-los enfrentando, primeiro numa rajada, demasiados e de uma só vez. Assoberbados. Assim que os começamos a tratar por tu, aparecem outros e mais outros. Demora tempo. Eventualmente estabiliza. Ou habituamo-nos. É nessa altura que somos nós a agarrar o trajeto. Procuramos, informamo-nos, questionamos, experimentamos, revemos crenças, convicções, verdades.

Um caminho de dores, desafios e oportunidades. O da transição. É o bilhete de acesso ao palco. Feito de amor. Sem direito a reembolso ou viagem de regresso.

Incluir ou integrar?

Só há uns dias me dediquei a perceber esta questão, que ouço ser debatida aqui e ali. (Custa-me muitas vezes a energia gasta com os preciosismos da linguagem.) Desta vez lá fui eu, procurar e aprender.

Em resumo? Integrar, integramo-nos nós. Incluir, incluem-nos os demais.

Integrar? Integrar vamos integrando. Havendo sorte. Corroborantes. Habilitados. Pais, famílias e profissionais. Somos nós, juntos, no palco. Juntos para que os nossos meninos se integrem. Tanto quanto possível, da melhor forma possível.

Incluir? Incluir ainda não. Incluir será num dia em que a plateia sejamos todos, juntos. Em que não se tenha de escolher querer olhar. Porque se vê. Num dia de lotação esgotada em que não consigamos distinguir a plateia deste nosso palco. Palco que não pedimos nem pretendemos.

Sem desníveis. Sem cortinas. Só envolvidos.

Em espaço aberto.

Mãe da Rita